Cabras e ovelhas são, paralelamente ao gado bovino, um elemento valiosíssimo na história das gentes destas cercanias. Todos os dias sobem os outeiros da serra e a sua guarda permanente, é confiada, rotativamente a todas as casas da aldeia. Constituía uma enorme responsabilidade, guardar o rebanho de ovelhas e cabras, cada lugar chegou a ter milhares de cabeças, até finais da década de 1950, eram dois pastores, um de cada casa, que cumpriam, nem sempre com sucesso, essa tarefa, preparando e aguardando esse dia com enorme ansiedade. Muitas vezes os lobos levavam a melhor. São, ainda hoje, uma preocupação para todas as famílias, em todos os lugarejos da Serra. Os lobos sempre estiveram presentes e em grande número até à década de 1970, muito perseguidos na actualidade, mas ainda assim activos, constituíam a mais seria ameaça destes rebanhos e nos dias de muito nevoeiro ou tempestade os pastores nem se atreviam a sair das imediações dos "eidos" e ficavam sempre de atalaia. Se alguma vez o Demo teve rosto, no imaginário colectivo local, certamente teria o focinho destes nobres, odiados e mal compreendidos, animais. Contudo não se conhece nenhuma notícia ou relato de um lobo ter atacado humanos. Alimentação, fabrico de instrumentos, utensílios, roupas, moeda de troca e reserva económica são algumas condições que definem a importância dos rebanhos, nesta terra de recursos escassos. Em particular, as cabras tinham, ainda, a vantagem de manter os montes limpos de matos, coisa que, em conjunto com a recolha de lenha nas matas, as roçadas do tojo para as cortes do gado e as queimadas de rejuvenescimento dos pastos explica a inexistência de incendios, nas décadas anteriores ao 25 de Abril de 1974.
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