terça-feira, 22 de janeiro de 2008

AGRICULTURAS

A agricultura, depende estreitamente da criação de gado, quer pela força de trabalho e sobretudo pela fertilidade da terra que o estrume proporciona. Há um equilíbrio ou relação de dependência mútua entre a agricultura a pastorícia e o Homem, verificando-se, entre aquelas duas, quanto à primazia, alguma alternância de conjuntura, sendo, estruturalmente a criação de gado a deter a supremacia. Ninguém tenha dúvidas de que, nestas cercanias de terra pobre ou falta dela foi com o estrume que sistematicamente cobriu os campos, que as gerações anteriores obtiveram o seu sustento.
As culturas mais antigas, o centeio e as hortícolas, remontam a cerca de 6.000 anos e tiveram pouca importância, constituíam um complemento à pecuária e à caça. A grande revolução agrícola foi a introdução do milho, batata e feijão, vindos da América nos, séculos XVII e XVIII. Estas culturas generalizaram-se, provocando o aumento da população e novas arroteias, trabalhos medonhos, transformaram fraguedos e penedias em campos férteis, em socalcos, trouxeram a ditosa água de grandes distâncias, por encostas íngremes de dificílimo trabalho, disputando a serra aos deuses. Valentes que à sua medida, recriaram a paisagem, dando-nos testemunhos do imenso drama do Homem na luta pela sobrevivência, do génio dos que venceram. A vinha introduzida pelos romanos e a oliveira pelos mouros, cultivadas desde então, marcam profundamente a paisagem destas aldeias serranas.

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