terça-feira, 22 de janeiro de 2008

HISTORIANDO

A Serra da Peneda, localizada no Nordeste do Minho, entre o rio Lima e o vale do rio Minho, constitui um maciço granítico montanhoso que raia os 1500 metros e dos rochedos herdou o nome.
Os Celtas, os Romanos, os Suevos, os Visigodos e os Mouros foram os mais importantes povos que até há mil anos atrás, ocuparam sucessivamente este território, e nele se fundiram, originando uma estirpe de gente destemida e valente, amante da liberdade, enriquecida pela diversidade genética e pelas dificuldades da vida na Serra. Toda esta região de lugarejos espalhados pelas serranias que tem a Vila de Soajo como centro histórico, foi obreira de Portugal, nas longas e ferozes lutas contra Leão e depois Castela, foram muitas vezes, os caçadores de ursos e de lobos que já antes haviam expulso os sarracenos, a defender o território Portucalense e a fazer incursões em terras de Leão, encravando o Condado na Galiza. Os serviços prestados aos Condes e depois aos Reis, na fronteira, valeram-lhes honrarias e privilégios, disso são exemplos o Foral, a isentar os homens bons desta serra de obrigações banais, o Pelourinho de Soajo e o Juiz da Terra. Aqui, nestes outeiros, nasceram, provavelmente, os primeiros vilãos-cavaleiros de Portugal. Com a pacificação das relações Luso-Castelhanas e o tratado de Alcanices, Soajo e as gentes das cercanias, perderam importância, foram caindo no esquecimento, privados de alguns direitos históricos, mal tratados pelos governos de Lisboa, sobretudo no Estado Novo, abandonaram a sua terra em busca de aventura, honra e riqueza e hoje estão em todos os cantos do mundo fazendo parte dessa enorme família de emigrantes, da Diáspora, levando e dando, com orgulho, esse Portugal, que tão mal os quis e quer. A terra é pobre e os que ficam, porque o espírito é mais forte do que a fome, disputam à serra o sustento, são gentes de poucas falas, de muito trabalho, de ‘palavra’ e discreta religiosidade, não temem a Deus nem ao Diabo. A criação de gado é desde as origens, desde sempre, na economia de produção, a actividade mais rentável, aquela que estrutura a sagrada liberdade e determina o pulsar do coração por essa serra acima.

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